O amor não vale nada.
Amor é só uma palavra. Não mata a fome escutar um "eu te amo".
Amor não sacia, não revigora, não beneficia.
Existem sentimentos muito mais fortes que o amor.
A Lealdade.
Quem é leal, é leal sempre. Independente da situação. Independente do momento. Lealdade é do caráter.
A cumplicidade. Quando se é cúmplice uma vez, é cúmplice para a vida toda. Ninguém deixa de ser cúmplice porque não quer mais.
A paixão.
A paixão é um sentimento marginalizado. Sempre se escuta que a paixão antecede o amor que pode vir. Que a paixão é desvassaladora, é o fogo que corroê por dentro e carcome nossas entranhas.
Que sentimento maravilhoso! A paixão nos faz sentir entregues. Faz sentir que por um momento, não pertencemos a nós mesmos, mas sim ao objeto de desejo.
Antes ter alguém leal a nós, a ter alguém que nos ama.
Antes ter um cúmplice, a ter um amor
Antes ter alguém apaixonado por nós, a ter alguém que diz "eu te amo".
O amor é o sentimento mais impostor que existe.
Ninguém ao certo sabe o que é o amor. Ninguém sabe qual sua forma, seu cheiro, seu sabor.
O amor se confunde com tantos outros sentimentos.
Carinho, admiração, pena...
Não acredito em quem da boca para fora diz "eu te amo".
A boca que disserta amor, é a mesma que te morde no futuro. É a mesma boca que arranca carinhosamente seus pedaços. Nunca deixe de prestar atenção em você. Nunca pense que quem diz te amar, quer seu bem.
Todas as pessoas que me machucaram, um dia disseram me amar.
Não se perca pelos outros. Confie em você mesma e nunca deixe de lutar por você.
Atenciosamente,
Carolina Pinas
terça-feira, 30 de maio de 2017
segunda-feira, 24 de abril de 2017
Das poucas coisas que me irritam, uma das maiores é o senso comum. Nada me tira mais a paciência, do que um comentário crítico de senso comum.
Loira é burra
Loira gosta de negão
Negão tem pau grande
Japonês tem pau pequeno
Mulher pequena é estressada
Mulher que não dá fica de mimimi
Homofobia, preconceito e bullying é tudo mimimi
Feminista é tudo mal comida
Mulher que dança é puta
Homem que dança é gay
Mulher que anda no meio de homem é puta
Mulher que anda de roupa curta é puta
mulher é puta
Eu pouco me importo com a droga que você usa
A bebida que você bebe
com quem você fica
Não me importa o que você faz, desde que não seja prejudicial ao próximo
Se você tem 18 anos ou mais, o que você faz da sua vida é problema seu, não interessa a mais ninguém. E eu falo sem hipocrisia.
Quanto mais errado, mais me identifico.
Reconheço minhas falhas e minhas imperfeições como ser humano.
Ainda que eu erre muito, o que eu faço não prejudica o outro.
Não puxo tapete de ninguém, não quero tomar o lugar de outra pessoa
Eu amo ser quem sou. E por mais que eu não seja perfeita, me sinto extremamente confortável sendo quem sou.
Magra, baixa, alto ou gorda. Não me interessa a forma física. Eu sou o que sou muito além de uma casca.
Me descubro todos dias, cada dia mais um pouco. Todos os dias, sinto cada vez mais orgulho de quem sou.
Mesmo envelhecendo, mesmo indo dormir tarde e criando rugas. Mesmo indo pra balada e bebendo as vezes até demais. Mesmo fumando um baseado às vezes.
Não sou uma pessoa ruim, não me aproveito dos outros. tenho os meus segredos, por isso não vejo graça em espalhar o segredo dos outros. Quer colar comigo, demorou! Sou pau para toda obra, apenas respeite minhas escolhas, minhas decisões e meus horários.
Se você se incomoda com minhas unhar vermelhas, meu shorts curto, minha barriga aparecendo, minha dança e minha loucura, não precisa ficar por perto. Sinta-se a vontade para me odiar e falar de mim o quanto quiser. Apenas tenha consciência de que, quem fala mal hoje, amanhã é mal falado.
Se tenho, o que tenho hoje, foi por conquista. Seja batalhando para conquistar dinheiro e bens materiais, ou seja cativando pessoas. Por fraqueza ou por força. Não tenho problema em mudar de opinião nem de me dar por errada. Convença-me da forma que achar melhor, mas não me faça o mal. Apesar de ser toda errada, tenho consciência de que Deus está ao meu lado. Seja para me dar a glória, ou me dar o castigo.
Loira é burra
Loira gosta de negão
Negão tem pau grande
Japonês tem pau pequeno
Mulher pequena é estressada
Mulher que não dá fica de mimimi
Homofobia, preconceito e bullying é tudo mimimi
Feminista é tudo mal comida
Mulher que dança é puta
Homem que dança é gay
Mulher que anda no meio de homem é puta
Mulher que anda de roupa curta é puta
mulher é puta
Eu pouco me importo com a droga que você usa
A bebida que você bebe
com quem você fica
Não me importa o que você faz, desde que não seja prejudicial ao próximo
Se você tem 18 anos ou mais, o que você faz da sua vida é problema seu, não interessa a mais ninguém. E eu falo sem hipocrisia.
Quanto mais errado, mais me identifico.
Reconheço minhas falhas e minhas imperfeições como ser humano.
Ainda que eu erre muito, o que eu faço não prejudica o outro.
Não puxo tapete de ninguém, não quero tomar o lugar de outra pessoa
Eu amo ser quem sou. E por mais que eu não seja perfeita, me sinto extremamente confortável sendo quem sou.
Magra, baixa, alto ou gorda. Não me interessa a forma física. Eu sou o que sou muito além de uma casca.
Me descubro todos dias, cada dia mais um pouco. Todos os dias, sinto cada vez mais orgulho de quem sou.
Mesmo envelhecendo, mesmo indo dormir tarde e criando rugas. Mesmo indo pra balada e bebendo as vezes até demais. Mesmo fumando um baseado às vezes.
Não sou uma pessoa ruim, não me aproveito dos outros. tenho os meus segredos, por isso não vejo graça em espalhar o segredo dos outros. Quer colar comigo, demorou! Sou pau para toda obra, apenas respeite minhas escolhas, minhas decisões e meus horários.
Se você se incomoda com minhas unhar vermelhas, meu shorts curto, minha barriga aparecendo, minha dança e minha loucura, não precisa ficar por perto. Sinta-se a vontade para me odiar e falar de mim o quanto quiser. Apenas tenha consciência de que, quem fala mal hoje, amanhã é mal falado.
Se tenho, o que tenho hoje, foi por conquista. Seja batalhando para conquistar dinheiro e bens materiais, ou seja cativando pessoas. Por fraqueza ou por força. Não tenho problema em mudar de opinião nem de me dar por errada. Convença-me da forma que achar melhor, mas não me faça o mal. Apesar de ser toda errada, tenho consciência de que Deus está ao meu lado. Seja para me dar a glória, ou me dar o castigo.
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Carta aberta para o meu parceiro casual
Oi,
Eu gostaria de dizer que foi incrível tudo o que aconteceu.
Eu já tinha me interessado por outros caras, e já tinha levado eles pra casa.
Mas eu não transei com nenhum deles.
Não que eu não quisesse transar, eu simplesmente não senti nada por eles.
Com você foi diferente, nós dançamos
no dia seguinte você me adicionou no facebook
uma semana depois você me chamou para conversar, e disse que havia lido tudo o que eu tinha publicado, e que adorou minha visão sobre a dança.
Eu senti medo, um frio na barriga.
Quando dançamos me conectei a você, eu quis conhecer você.
Quis te entender. Saber do seu mundo. Das suas coisas. Seu olhar era vibrante e incrível. Eu senti sua sede, eu senti sua fome, eu senti seus desejos.
Não sei por quanto tempo conversamos. Sei que não foram todos os dias. Mas eu não conseguia te tirar da cabeça.
Quando finalmente te vi, senti tudo queimar. Era inacreditável, sentia como se não fosse realidade.
Eu amei cada segundo. Eu quis você da cabeça aos pés. Eu amei cada parte do seu corpo, e amaria de novo, e de novo, como se fosse tudo o que pudesse ter.
Acredito que todo ser humano tenha o caos em si. Eu prefiro que me mostrem primeiro o que tem de ruim, pra depois me mostrar o que tem de bom. Você me mostrou tudo isso, e mesmo assim eu te quis, e te quis mais do que antes.
Eu quis sua desordem.
Eu quis que as mesmas tempestades que te atingissem, me atingissem também.
E agora eu sigo, sentindo seu toque, seu cheiro e seu sabor por onde quer que eu vá.
Isso não é uma declaração de amor, isso é a expressão do meu desejo febril por você.
Ainda quero desenrolar seus mistérios e descobrir quanta luz esse olhar pode trazer.
E mais importante:
Eu quero todo o seu caos dentro de mim,
De todas as formas que ele possa ser
Em todas as intensidades que você queira despeja-lo em mim.
Eu gostaria de dizer que foi incrível tudo o que aconteceu.
Eu já tinha me interessado por outros caras, e já tinha levado eles pra casa.
Mas eu não transei com nenhum deles.
Não que eu não quisesse transar, eu simplesmente não senti nada por eles.
Com você foi diferente, nós dançamos
no dia seguinte você me adicionou no facebook
uma semana depois você me chamou para conversar, e disse que havia lido tudo o que eu tinha publicado, e que adorou minha visão sobre a dança.
Eu senti medo, um frio na barriga.
Quando dançamos me conectei a você, eu quis conhecer você.
Quis te entender. Saber do seu mundo. Das suas coisas. Seu olhar era vibrante e incrível. Eu senti sua sede, eu senti sua fome, eu senti seus desejos.
Não sei por quanto tempo conversamos. Sei que não foram todos os dias. Mas eu não conseguia te tirar da cabeça.
Quando finalmente te vi, senti tudo queimar. Era inacreditável, sentia como se não fosse realidade.
Eu amei cada segundo. Eu quis você da cabeça aos pés. Eu amei cada parte do seu corpo, e amaria de novo, e de novo, como se fosse tudo o que pudesse ter.
Acredito que todo ser humano tenha o caos em si. Eu prefiro que me mostrem primeiro o que tem de ruim, pra depois me mostrar o que tem de bom. Você me mostrou tudo isso, e mesmo assim eu te quis, e te quis mais do que antes.
Eu quis sua desordem.
Eu quis que as mesmas tempestades que te atingissem, me atingissem também.
E agora eu sigo, sentindo seu toque, seu cheiro e seu sabor por onde quer que eu vá.
Isso não é uma declaração de amor, isso é a expressão do meu desejo febril por você.
Ainda quero desenrolar seus mistérios e descobrir quanta luz esse olhar pode trazer.
E mais importante:
Eu quero todo o seu caos dentro de mim,
De todas as formas que ele possa ser
Em todas as intensidades que você queira despeja-lo em mim.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
Carta para um amor abandonado
Tudo bem. Já passou...
se eu tivesse forças no momento, diria que ficaria tudo bem.
Você não teve culpa do que aconteceu, eu não preciso te perdoar, porque a culpa não foi sua.
Eu sei que você tentou, você quis muito, você deu o seu melhor.
Mas não aconteceu como imaginei.
Não fui apresentada a sua família
Não fiz parte dos seus churrascos de domingo e nem do seu círculo de amizades.
Não pude te ouvir falar da faculdade que acabou de começar
Mas eu dei risada com você no carro, eu fiz a gente se perder em Campinas a procura de um bar.
Você rodou atrás de cerveja comigo, mesmo que você detestasse cerveja e não iria tomar comigo de qualquer forma.
Você se esforçou, você pediu uma cerveja e fez cara feia. Você já sabia que iria odiar.
Assistimos filme juntos e nos beijamos no cinema. Te fiz ir ao motel pela primeira vez e você disse que me amava.
Te apresentei aos meus amigos que dançam, e todos gostaram de você.
Ouvi coisas maravilhosas de você que nunca em toda a minha vida ouvi de outro rapaz.
Senti seus olhos apaixonados olhando pra mim. Seus olhos sempre me fascinaram.
Você foi gentil, até quando decidiu que não daria certo
Quando percebeu que éramos diferentes demais e que por mais que nos esforçássemos não daria certo. Eu amei todo o tempo que passamos juntos, um breve tempo, mas muito intenso tempo.
Eu não iria mudar por você, e nem você por mim.
Então tudo bem.
Eu te amei, e sei que você também me amou.
Eu não mudaria o que aconteceu. Nós tentamos
Então em um futuro próximo, eu espero que fique tudo bem.
Muito obrigada por essa pequena amostra de intensa felicidade.
PS: Obrigada por me fazer ser a pessoa que sua próxima namorada vai odiar rs.
se eu tivesse forças no momento, diria que ficaria tudo bem.
Você não teve culpa do que aconteceu, eu não preciso te perdoar, porque a culpa não foi sua.
Eu sei que você tentou, você quis muito, você deu o seu melhor.
Mas não aconteceu como imaginei.
Não fui apresentada a sua família
Não fiz parte dos seus churrascos de domingo e nem do seu círculo de amizades.
Não pude te ouvir falar da faculdade que acabou de começar
Mas eu dei risada com você no carro, eu fiz a gente se perder em Campinas a procura de um bar.
Você rodou atrás de cerveja comigo, mesmo que você detestasse cerveja e não iria tomar comigo de qualquer forma.
Você se esforçou, você pediu uma cerveja e fez cara feia. Você já sabia que iria odiar.
Assistimos filme juntos e nos beijamos no cinema. Te fiz ir ao motel pela primeira vez e você disse que me amava.
Te apresentei aos meus amigos que dançam, e todos gostaram de você.
Ouvi coisas maravilhosas de você que nunca em toda a minha vida ouvi de outro rapaz.
Senti seus olhos apaixonados olhando pra mim. Seus olhos sempre me fascinaram.
Você foi gentil, até quando decidiu que não daria certo
Quando percebeu que éramos diferentes demais e que por mais que nos esforçássemos não daria certo. Eu amei todo o tempo que passamos juntos, um breve tempo, mas muito intenso tempo.
Eu não iria mudar por você, e nem você por mim.
Então tudo bem.
Eu te amei, e sei que você também me amou.
Eu não mudaria o que aconteceu. Nós tentamos
Então em um futuro próximo, eu espero que fique tudo bem.
Muito obrigada por essa pequena amostra de intensa felicidade.
PS: Obrigada por me fazer ser a pessoa que sua próxima namorada vai odiar rs.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Sobre condução na dança.
De fato, a dança tem o poder de nos demonstrar um milhão de coisas, apenas estando submergido nesse mundo fora do comum é que podemos tecer uma opinião verdadeira sobre o assunto.
Digo como recém-chegada a esse universo, que não se parece com nada que estamos acostumados a ver.
A dança é uma fuga, um escape, um gatilho para sair da sociedade que vivemos. Ela é mística, meu coração acelera quando penso em transformar em palavras o sentimento que me traz. Dentro de um salão de dança o mundo lá fora não existe. Vi um senhor morrer dançando uma vez, logo nas primeiras vezes que saí para ver uma competição. A morte nunca é vista com bons olhos, mas meu verdadeiro pensamento foi "Que sorte a desse homem ao morrer dançando!". No dia seguinte estava eu lá competindo no mesmo lugar em que aquele homem de luz deixou esse plano.
Falar da relação homem/mulher sempre torna-se um assunto delicadíssimo, a primeira vista por sermos seres que traumatizam-se com muito pouco, e exteriorizamos nossos traumas das mais variadas formas. Além do fator psicológico, ainda temos o social, onde a mulher toma uma posição inferior ao do homem. Ou o homem toma uma posição de liderança e guia.
Se falar da relação homem e mulher já causa desentendimento em âmbitos normais, falar da relação homem e mulher na dança torna-se um desafio muito maior.
A mulher, colocada como submissa ao homem, sempre soube, quase que instintivamente que deveria lutar contra essa injustiça, e vem fazendo isso década após década. Engana-se quem acredita que o feminismo e a luta por igualdade é algo novo e apareceu com a revolução tecnológica!
Trouxemos essa luta para a dança também, mas isso vai muito além de rebelar-se contra a opressão social. A dança, como já citei acima, é um mundo completamente diferente. É uma comunidade, encontramos dançarinos em todos os lugares do mundo, estamos todos conectados e sabemos disso. Compartilhamos vídeos, informações, lições... Todos unidos pela paixão de dançar. O que vivemos dentro dos salões de dança, acredito ser a forma mais pura da palavra sociedade, do latim societas, o conjuntos de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes e que interagem entre si. Mas muito além de uma sociedade fria como a que vivemos, a dança não tem uma política de conduta opressiva como temos fora dos salões. Não existe um líder, um presidente, uma tesouraria. Pobre daquele que acredita ditar alguma regra dentro desse universo, ou ter o direito autoral e nominal de qualquer coisa. A regra de não ter regra alguma sempre foi muito clara pra mim desde que comecei a frequentar os salões.
(Não vou entrar no mérito da discussão do respeito que deve existir, por exemplo, direito de recusar uma dança, ou parar a dança no meio se não se sentir bem, que não deve nunca existir qualquer intenção além do simples e puro desejo de DANÇAR, etc...) Essa regra muito prática não funciona na nossa sociedade comum, certamente. O problema é que esse conceito existente na societas dança, também dá pau vez ou outra, porque a linha entre liberdade e prisão é muito tenuê. Vivemos presos a certos costumes que temos como sociedade histórica, inadmissíveis quando nos tratamos da dança, onde nos expressamos sem medo de julgamentos. Existe uma norma para condução que construímos dentro da dança de salão, onde um conduz e o outro é conduzido. Geralmente temos um homem condutor e uma mulher conduzida, parâmetro que alguns grosseiramente enxergam como "um manda e o outro obedece", os mais ignorantes trazem o que a sociedade comum nos ensinou, de que a mulher fica submissa e sujeita às movimentações do homem.
Nunca canso-me de ver os casais dançando, e sempre temos aquele casal que se destaca, onde a mulher de olhos fechados confia no homem que a está conduzindo e entrega-se tanto, que dois parecem um. Não sabemos onde um começa ou o outro termina. Esses casais são arte. São pinturas, são quadros, esculturas... Arrisco-me a dizer que nem Vinicius de Moraes conseguiria por no papel o sentimento que esses casais conseguem transmitir apenas com a sua dança. E o menos importante nesses momentos é quem conduz ou está sendo conduzido. A sintonia e energia é tanta, que os dois expressão-se de forma libertadora. As mulher não querem mais serem submissas, querem encontrar-se como ser humano e descobrir sua autonomia. Os homens estão cansados, eles não querem que coloquem a carga das decisões todas em suas costas. Quem quer fugir pra se encontrar, geralmente encontra a dança.
Digo como recém-chegada a esse universo, que não se parece com nada que estamos acostumados a ver.
A dança é uma fuga, um escape, um gatilho para sair da sociedade que vivemos. Ela é mística, meu coração acelera quando penso em transformar em palavras o sentimento que me traz. Dentro de um salão de dança o mundo lá fora não existe. Vi um senhor morrer dançando uma vez, logo nas primeiras vezes que saí para ver uma competição. A morte nunca é vista com bons olhos, mas meu verdadeiro pensamento foi "Que sorte a desse homem ao morrer dançando!". No dia seguinte estava eu lá competindo no mesmo lugar em que aquele homem de luz deixou esse plano.
Falar da relação homem/mulher sempre torna-se um assunto delicadíssimo, a primeira vista por sermos seres que traumatizam-se com muito pouco, e exteriorizamos nossos traumas das mais variadas formas. Além do fator psicológico, ainda temos o social, onde a mulher toma uma posição inferior ao do homem. Ou o homem toma uma posição de liderança e guia.
Se falar da relação homem e mulher já causa desentendimento em âmbitos normais, falar da relação homem e mulher na dança torna-se um desafio muito maior.
A mulher, colocada como submissa ao homem, sempre soube, quase que instintivamente que deveria lutar contra essa injustiça, e vem fazendo isso década após década. Engana-se quem acredita que o feminismo e a luta por igualdade é algo novo e apareceu com a revolução tecnológica!
Trouxemos essa luta para a dança também, mas isso vai muito além de rebelar-se contra a opressão social. A dança, como já citei acima, é um mundo completamente diferente. É uma comunidade, encontramos dançarinos em todos os lugares do mundo, estamos todos conectados e sabemos disso. Compartilhamos vídeos, informações, lições... Todos unidos pela paixão de dançar. O que vivemos dentro dos salões de dança, acredito ser a forma mais pura da palavra sociedade, do latim societas, o conjuntos de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes e que interagem entre si. Mas muito além de uma sociedade fria como a que vivemos, a dança não tem uma política de conduta opressiva como temos fora dos salões. Não existe um líder, um presidente, uma tesouraria. Pobre daquele que acredita ditar alguma regra dentro desse universo, ou ter o direito autoral e nominal de qualquer coisa. A regra de não ter regra alguma sempre foi muito clara pra mim desde que comecei a frequentar os salões.
(Não vou entrar no mérito da discussão do respeito que deve existir, por exemplo, direito de recusar uma dança, ou parar a dança no meio se não se sentir bem, que não deve nunca existir qualquer intenção além do simples e puro desejo de DANÇAR, etc...) Essa regra muito prática não funciona na nossa sociedade comum, certamente. O problema é que esse conceito existente na societas dança, também dá pau vez ou outra, porque a linha entre liberdade e prisão é muito tenuê. Vivemos presos a certos costumes que temos como sociedade histórica, inadmissíveis quando nos tratamos da dança, onde nos expressamos sem medo de julgamentos. Existe uma norma para condução que construímos dentro da dança de salão, onde um conduz e o outro é conduzido. Geralmente temos um homem condutor e uma mulher conduzida, parâmetro que alguns grosseiramente enxergam como "um manda e o outro obedece", os mais ignorantes trazem o que a sociedade comum nos ensinou, de que a mulher fica submissa e sujeita às movimentações do homem.
Nunca canso-me de ver os casais dançando, e sempre temos aquele casal que se destaca, onde a mulher de olhos fechados confia no homem que a está conduzindo e entrega-se tanto, que dois parecem um. Não sabemos onde um começa ou o outro termina. Esses casais são arte. São pinturas, são quadros, esculturas... Arrisco-me a dizer que nem Vinicius de Moraes conseguiria por no papel o sentimento que esses casais conseguem transmitir apenas com a sua dança. E o menos importante nesses momentos é quem conduz ou está sendo conduzido. A sintonia e energia é tanta, que os dois expressão-se de forma libertadora. As mulher não querem mais serem submissas, querem encontrar-se como ser humano e descobrir sua autonomia. Os homens estão cansados, eles não querem que coloquem a carga das decisões todas em suas costas. Quem quer fugir pra se encontrar, geralmente encontra a dança.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
AmigoDeus
Deus não está no Céu. Deus está na terra, lado a lado com cada um de nós. A gente só olha pra cima quando vai falar com ele, porque ele é muito maior que qualquer um de nós.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Eu e quem?
Quem sou eu?
Nasci pobre, morei até os 7 anos em um sítio afastado da cidade.
Andei descalça na terra vermelha e tive micose.
fui estuprada desde que tenho memória até os 7 anos.
Não tenho pai.
Tenho cabelo crespo e não sou nenhuma rainha da beleza.
Não tenho formação.
Nunca fui à Europa e dormi a vida quase toda na sala em um sofá-cama.
Quem sou eu além de ninguém?
Fui à igreja pra saber se me encontrava
Fui à Umbanda
Ao centro espírita.
Fiz curso técnico em Química pra ver se era o que eu queria
Nem terminei, odiei tudo aquilo.
Odeio como não consigo me encaixar em nenhum grupo. Odeio como não me pareço com ninguém
Não me vejo em ninguém.
Me vejo sempre só. Sempre só.
Na escola, na academia, na balada, na igreja.
Sempre senti Deus ao meu lado.
Rejeitei a ideia da existência de Deus, por não aceitar que poderia ter alguém do meu lado, olhando por mim.
Rejeitei minha mãe pelo mesmo motivo.
Hoje eu aceito os dois, como se fossem meus guardiões e tenho certeza que nada no mundo vai me acontecer de ruim enquanto eu ainda acreditar nos dois.
Hoje eu sei em quem e no que posso confiar.
Mas quem sou eu pro resto do mundo?
Nasci pobre, morei até os 7 anos em um sítio afastado da cidade.
Andei descalça na terra vermelha e tive micose.
fui estuprada desde que tenho memória até os 7 anos.
Não tenho pai.
Tenho cabelo crespo e não sou nenhuma rainha da beleza.
Não tenho formação.
Nunca fui à Europa e dormi a vida quase toda na sala em um sofá-cama.
Quem sou eu além de ninguém?
Fui à igreja pra saber se me encontrava
Fui à Umbanda
Ao centro espírita.
Fiz curso técnico em Química pra ver se era o que eu queria
Nem terminei, odiei tudo aquilo.
Odeio como não consigo me encaixar em nenhum grupo. Odeio como não me pareço com ninguém
Não me vejo em ninguém.
Me vejo sempre só. Sempre só.
Na escola, na academia, na balada, na igreja.
Sempre senti Deus ao meu lado.
Rejeitei a ideia da existência de Deus, por não aceitar que poderia ter alguém do meu lado, olhando por mim.
Rejeitei minha mãe pelo mesmo motivo.
Hoje eu aceito os dois, como se fossem meus guardiões e tenho certeza que nada no mundo vai me acontecer de ruim enquanto eu ainda acreditar nos dois.
Hoje eu sei em quem e no que posso confiar.
Mas quem sou eu pro resto do mundo?
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