domingo, 31 de janeiro de 2021

 Aconteceu quando eu tinha por volta de 6 anos. 

Eu sou autista leve e recebi um diagnóstico tardio, apenas depois dos 20 anos, vivi todo esse tempo no "escuro", com muitas críticas sobre minha personalidade introspectiva e pouco afetiva. 

O autismo com certeza me colocou em desvantagem inúmeras vezes quando o assunto é relacionamento com outros seres humanos, eu simplesmente não consigo entender as regras lineares e seguir padrões de comportamento, esqueço de regras simples como dizer "oi" e "bom dia".

Nessa idade eu me relacionava mais comumente com um ente da família a qual normalmente chamam de "primo". Ele era filho da irmã de meu pai. 

O relato que eu tenho é muito diferente dos relatos de estupro que já ouvi. 

Não existe um padrão ao estuprador, cada caso é uma atrocidade a parte. 

Foram anos de abuso sexual, a primeira lembrando que tenha da minha infância são sobre os abusos. Ele já era adolescente a época, e eu um bebê de 4 anos.

Não teria espaço aqui pra eu contar sobre todos os tipos de tortura que fui submetida, mas uma episódio me assombra demais até hoje.

Eles eram dois, dois "primos", dois homens da minha família. Parentesco de primeiro grau. Sangue do mesmo sangue que o meu. 

Queriam jogar um jogo, o mais velho foi quem propôs o jogo e colocou as regras. Elas eram bem simples.

Duas pessoas tinham que ficar em baixo do cobertor quente, sem água e sem comida pelo máximo de tempo possível e as duas pessoas tinham que lutar e valia absolutamente tudo. Todo tipo de absurdo podia ser feito. 

O que aconteceu comigo eu nunca vi nenhum animal fazer com outro.

O macho humano é de fato o pior e mais violento animal com a fêmea de sua espécie.

Naquele momento eu tive minhas roupas arrancadas e fui montada diversas vezes por dois homens que eu considerava da minha família, aos 6 anos. A água que havia separado para cada participante do "jogo", me foi roubada e bebida por um dos homens que me montavam e eu fiquei sendo estuprada em baixo de uma coberta quente, sem água por tanto tempo que não consigo me lembrar  



  

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