eu te beijaria da cabeça aos pés
na tentativa de preencher esse vazio no estômago
que nada tem a ver com a fome
meu corpo tem sede de lábios e mãos
de pele e nariz
respirações ofegantes que tentam se controlar no meio de um deserto de sentimentos
a mais primitiva verdade não vem da filosofia
ela acontece no enlace de corpos
como eu poderia te prometer algo se nem eu mesma sei de mim
as palavras não surtem efeito quando se trata de sentimentos ocultos
coisas do subconsciente
nem mesmo o mais poderoso xamã poderia desvendar os segredos escondidos no fundo do córtex cerebral de quem passou uma vida de flagelos e abusos
de um mês atrás adianta eu decidi ser outra pessoa
sustentar outra pose, outra mente, outra percepção
mas o tesão é o mesmo
a vontade de vida e viver nunca muda
quem seria eu se não uma sucessão de úteros e histórias uterinas que trago comigo de ancestrais que não desistiram da luta
o que seria meu corpo se não um empréstimo do corpo de outra fêmea que veio antes de mim
as línguas, o toque, o seio, a vulva
a entrega que não é só a do corpo
é a entrega de histórias, de cicatrizes, de vontades e desejos de outras que não puderam falar
não puderam sentir o prazer que lhe foi naturalmente concebido
o tabu social e o clitóris vibracional
tudo se resume ao gozo proibido
ao prazer entorpecido
o começo e o fim do mundo entre as pernas abertas
fecha o coração e abre o corpo
os músculos esticam, o peito respira, a mente se apaga
os seios enrijecem, as pernas adormecem
a boca abre pedindo mais língua
mais calor, mais afeto, mais contato
o corpo estremece e o fim é só um novo começo nessa dança de prazeres
interminável é a vontade do corpo
é a libido, é o caos, é sempre mais e mais e mais e mais e mais e mais e mais...
Nenhum comentário:
Postar um comentário